Brilhante à la Gaspar

À entrada, uma viagem no tempo. Brilhante é o novo restaurante do chefe Luís Gaspar. Fica na Rua da Moeda, no Caís do Sodré e tem como inspiração os clássicos cafés lisboetas do século passado. A joia da casa chama-se Bife à Marrare, um ex-libris da restauração da cidade. Mas também há outras iguarias da cozinha francesa para conhecer no mais recente projeto do Grupo Plateform.

Depois de altos voos entre a Sala de Corte, o recém-aberto Pica Pau e a consultoria de vários outros projetos, Luís Gaspar tem um novo desafio entre mãos. Brilhante, assim se chama, assume-se como um restaurante clássico, na sua cozinha e no seu espaço, e segundo o seu chefe quer “recuperar o registo dos míticos cafés de Lisboa com clássicos da cozinha francesa”. Prova disso é o bar espelhado com mais de 50 referências de whisky e uma carta de cocktails clássicos assinada por Fernão Gonçalves e também o balcão de pedra localizado no meio do espaço.

A estrela da carta é o Bife à Brilhante, um prato inspirado no clássico lisboeta Bife à Marrare, especialidade imortalizada nos populares cafés Marrare do século xix, e que agora surge com uma receita aperfeiçoada por Gaspar e equipa. A original pertence ao napolitano Antonio Marrare que chegou à capital para trabalhar na copa de burgueses e acabou como empresário de sucesso com espaços abertos perto do Teatro de São Carlos, Chiado, Rua dos Sapateiros e Cais do Sodré – este último localizado a cerca de 200 metros onde está hoje o Brilhante. Os seus cafés marcaram uma nova forma de estar na restauração da cidade. Na versão Brilhante, o chefe substitui o pojadouro, considerado um corte “menos nobre” pela vazia ou pelo lombo, provenientes de raças autóctones portuguesas. Por opção do cliente, o prato pode vir acompanhado de um extra, entre ovo estrelado, escalope de foie gras e lavagante. Quanto ao molho, o original tem como base manteiga, natas e alho. Na nova versão, Luís acrescenta-lhe vinho Madeira e caldo de carne feito em casa a partir de ossos, tutano, rabo de boi, entre outros. A completar a oferta pratos da cozinha gaulesa como o salmão Gravlax, o bife tártaro, o linguado Meunière, a tartiflette au Reblochon e o soufflé de pistácio. A razão para tal é muito simples e o responsável explica: “Já em pré-pandemia pensámos neste conceito de ter um restaurante com um posicionamento mais boémio e noturno num registo mais clássico. Sentíamos que fazia falta um projeto em que pudéssemos recuperar clássicos da cozinha francesa dos anos 70 e 80 que acabaram por se perder.” Eis o Brilhante. À la Gaspar.

NOTA: Este artigo foi publicado originalmente na revista INTER Magazine e é da autoria de Catarina Amado.

Foto: Humberto Mouco

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