Shiuuu! Quero ouvir o silêncio!

Sim, silêncio precisa-se!

Entre Ipods, música nos restaurantes, e trânsito infindável o lugar para a tranquilidade e silêncio nas nossas vidas é cada vez menor.

Depois dos Santos populares e de atividades diversas de verão que se prolongam por dias e noites, surgiram grupos de cidadãos no Facebook que partilhavam o seu desespero pela perturbação que o ruído das festividades lhes provocava e que reclamavam silêncio para uma noite tranquila. Havia vozes inflamadas, pessoas zangadas, irritadas e inquietas. Pois, o ruído constante provoca tudo isto!

O ruído entra pelo ouvido e chega ao sistema nevoso central e autónomo. Produz incómodo e dificuldades sérias e impede a atenção, concentração, a  comunicação, o descanso e o sono.

O prolongamento destas situações pode levar a estados crónicos de inquietação, stress, ansiedade e provocar perturbações psicológicas.

Sabia que as crianças submetidas a elevados níveis de ruído aprendem mais devagar? Claro, se dificulta ou impede a atenção e concentração não será pedir muito às crianças que aprendam quando expostas a ambientes ruidosos?

Já deu por si irritado depois de estar exposto ao ruído que vem do cão do vizinho, ao barulho do trânsito que passa pela sua janela ou ao martelar da obra em frente?

A perturbação que estes ruídos lhe provocam levam a intranquilidade, inquietação,  ansiedade e podem mesmo  levar à depressão. O oposto de uma sensação de bem-estar físico e mental.

Sim,  ruído perturba!

Sim, o ruído afecta o nosso bem -estar!

Sim o ruído afecta a capacidade de aprendizagem das crianças!

Sabia que quase 20 milhões de europeus são incomodados pelo ruído? Sim, ouviu bem, 20 milhões!

Veja aqui os dados da Agência Europeia do Ambiente sobre o impacto do ruído, sobre a poluição sonora na Europa! Assustador, verdade?

Poluição sonora na Europa

Ao que estamos então sujeitos? Que impacto pode ter nas nossas vidas? De que forma afecta o nosso bem estar? Qual o impacto do ruído na nossa saúde? O ruído provoca:

– alterações do sono

– doenças cardiovasculares

– comportamentos agressivos

– maior risco de obesidade abdominal ou diabetes

– hipertensão

– dificuldade de atenção e concentração nos mais novos

Afecta o nosso sistema metabólico e a nossa qualidade de vida.

Para realizarmos uma tarefa precisamos estar atentos e concentrados. Se passar uma ambulância ou se um carro buzinar na estrada o que nos acontece? O ruído repentino distrai-nos quebra a concentração e reduz a qualidade e quantidade do nosso trabalho,  muda o comportamento social e interfere com a performance de tarefas complexas.

E como se propaga o ruído? Por emissões de alta frequência que são na maioria atenuadas pelo chão, fachadas dos prédios ou mesmo absorvidas pelo ar e por emissões de baixa frequência, a que somos mais sensíveis, e que  sentimos no interior das nossas habitações e nos causa incómodo.  O ruído é um som desagradável  e depende de  cada um de nós. O ganido de um cão, uma criança a chorar ou a sirene de uma ambulância podem assumir impactos diferentes consoante a associação específica que lhe fazemos. O som é um estímulo mecânico capaz de provocar sensações auditivas.

O ruído ambiental é um stressor físico que provoca distúrbios na estabilidade ou ao equilíbrio nos sistemas imunológico, cardiovascular e endócrino. das funções do organismo e de suas composições químicas. Activa sistemas autónomos e hormonais levando a alterações temporárias como o aumento da tensão arterial, o aumento da frequência cardíaca e a vaso-constrição. O ruído causa estragos em vários sistemas do nosso corpo. Tem sido demonstrado que a pressão arterial elevada pelo barulho nocturno continua durante todo o dia. Mesmo se não estamos totalmente excitados pelo barulho, o sono é fragmentado. A perda do sono está ligada a todos os tipos de problemas imunológicos e cardíacos, e  uma verdadeira lista de doenças. O que é ainda assustador é que mesmo se nos habituarmos mentalmente ao barulho, isso não muda o que está acontecendo com nossos corpos.

Estudos recentes revelam ainda uma ligação entre a exposição ao ruído em mulheres e problemas no nascimento das crianças como abortos espontâneos, ou bebés prematuros. A exposição a longo prazo em ambientes barulhentos, particularmente à noite está também relacionada com a infertilidade no homem.

Já o consegui convencer de que precisa de silêncio? Ainda não? Então deixo-lhe ainda mais algumas informações.

Sabemos que o cérebro tem a capacidade de se regenerar e embora não seja ainda totalmente claro o que promove a regeneração neurológica algumas experiências dão já indicações que um dos aspetos fundamentais é o silêncio. Reduz os níveis das hormonas de stresse (cortisol, adrenalina e afins), reforça o sistema imunitário pela não-ativação contínua do modo de alerta, ajuda a prevenir a aterosclerose e a pressão arterial elevada e contribui para novas células no hipocampo (crucial na aprendizagem e memória).

Pois, SILÊNCIO precisa-se!

Oficina de Psicologia
Foto: Jez Timms

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