Considera-se perfeccionista no seu desempenho?

Como olhamos para o perfeccionismo? Como algo que nos devemos orgulhar? Ou envergonhados? Será um defeito ou uma qualidade? E como o perfeccionismo influencia o seu desempenho?

De alguma forma, assumimos que para sermos os melhores, temos de ser perfeccionistas. Alguns estudos revelam que quando os estudantes querem ser vistos de forma mais positiva pelos seus colegas e professores, descrevem-se como perfeccionistas.

Então, o perfeccionismo é uma qualidade ou um bloqueio para o sucesso?

Podem ser ambos.

A literatura distingue dois tipos de perfeccionismo: perfeccionismo adaptativo e perfeccionismo mal adaptativo. Ambos estabelecem altos padrões de desempenho e ambicionam grandes metas. Ambos trabalham imenso para conseguir o que querem e fazem questão de executar um bom trabalho. Como resultado dos seus esforços, desenvolvem fortes capacidades ​​e, eventualmente, ambos brilham no que fazem.

No entanto, existe uma diferença que distingue estes dois tipos de perfeccionistas: os perfeccionistas adaptativos são orientados para a realização e os perfeccionistas mal adaptativos são orientados para o fracasso.

Apesar de a conquista ser realmente importante para ambos os tipos de perfeccionistas, as suas razões para tal diferem substancialmente: numa corrida, por exemplo, os perfeccionistas adaptativos querem vencer, enquanto que os perfeccionistas mal adaptativos não querem perder. Esta diferença na orientação da meta afecta a forma como se definem objectivos, como se sente em relação ao trabalho e como se responde a contratempos.

O que impulsiona os perfeccionistas adaptativos é o desejo de crescimento e o prazer inerente de ser desafiado. O foco reside no aperfeiçoamento das suas capacidades. Quando surgem obstáculos, o foco volta-se para a resolução de problemas e em relação ao fracasso, revêm o seu trabalho, analisando os resultados e planeiam o que fazer a seguir.

Por exemplo, um trabalhador perfeccionista adaptativo trabalha arduamente para conseguir uma promoção, obter um elogio ou receber um aumento. Um estudante universitário, sendo um perfeccionista adaptativo, passa mais horas a estudar do que é necessário para dominar a matéria e avançar nos estudos. 

A versão perfeccionista mal adaptativa do trabalhador do exemplo anterior trabalha arduamente para evitar ser despedido, para não receber uma crítica negativa ou para evitar ser despromovido. O estudante universitário passa horas a estudar com receio de ter uma má nota.

Esta diferença na orientação do objetivo também tem consequências a longo prazo. Estudos mostram que os perfeccionistas adaptativos tendem a ser mais estáveis emocionalmente, enquanto que os perfeccionistas mal adaptativos tendem a ter uma baixa autoestima, mais ansiedade e níveis mais altos de depressão.

A verdade é que todos nós temos um pouco dos dois tipos de perfeccionistas. Não somos perfeitos e a perfeição é algo que não existe! O desejo de criar algo, fornecer um bom serviço e ter um bom desempenho não é uma falha. É uma aspiração saudável. Contudo, o nosso perfeccionismo adaptativo pode impulsionar-nos, enquanto o outro pode deter-nos.

Qual dos perfeccionistas está mais presente na sua vida? Dá por si a pensar mais vezes “Podia ser melhor” ou “Não é bom o suficiente?” Esteja atento no trabalho, por exemplo, qual deles é que se faz ouvir mais vezes?

Oficina de Psicologia
Foto: Owen Bruce

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