Nasceu em 1983 em Lisboa, estudou Marketing, Publicidade e Relações Públicas no ISLA (hoje Universidade Europeia). Trabalhou na Nespresso, depois em empresas de eventos, trabalhou um ano no Brasil numa empresa de fotografia, a seguir numa empresa tecnológica, e depois numa agência de ativação de marcas. Em pleno Covid abriu a sua própria empresa, Gudilicious, que entregava caixas de brunches ao domicílio. Fazia-as na sua própria cozinha e entregava nos fins-de-semana. Um dia pediram-lhe e fez uma festa de aniversário de uma criança, a seguir um coffee-break, e depois almoços. Despediu-se da agência e ficou em full-time na Gudilicious, quando deu por ela tinha uma empresa de catering. São muito virados para o informal, comida finger-food, comida simples, caseira e saborosa. Emprega quatro pessoas a tempo inteiro e faturou 300 mil euros em 2022.
— Como divides o teu tempo entre família, trabalho, compras, cozinha, entregas, gestão, vendas, IT, preocupação?
Família-trabalho: 10%-90%. De entre o trabalho: compras 30%, cozinha 5%, entregas 2%, gestão 15%, vendas 25%, IT 10%, preocupação 100%.
— Quando são as tuas folgas? Dias e horas? O que mais gostas de fazer nessa altura? (Podes ser sincera não precisas de dizer “passar tempo com os meus filhos”.)
Trabalho todos os dias, nenhum dia folgo a 100%. As poucas horas em que consigo desligar gosto de ir jantar fora, com o meu marido e amigos. Também gosto de passar tempo com a família e ver televisão.
— Descreve a tua night-out perfeita.
Têm de ser duas. Uma é ir jantar, uma jantarada até à meia-noite e depois vou-me deitar. E outra é deitar os miúdos e ver televisão até adormecer. As duas são igualmente boas. O jantar tem de ter cocktails. Adoro restaurantes em geral, gosto de clássicos como o Pinóquio, adoro experiências mais sofisticadas como o JNcQUOI ou o Loco, e amo a Tasquinha do Lagarto, ou o Jacinto. Na televisão gosto de ver séries: romances, policiais. Estou numa fase “séries que não me façam pensar.”
— Onde viste o teu amanhecer mais bonito? Conta como era.
Não sou de ver amanheceres, não tenho muita paciência para essas coisas. Mas a paisagem mais bonita que já vi foi no Rio de Janeiro, em cima da Pedra Bonita. Acordo quase todos os dias às 5h da manhã para trabalhar, o que menos quero é ver amanheceres.
— Qual foi o pequeno-almoço que te inspirou a fundar a Gudilicious? Foi pela positiva (tão bom que querias imitá-lo e partilhá-lo com o mundo) ou pela negativa (tão mau que querias salvar o mundo de tais horrores)?
Na verdade, a Gudilicious foi criada porque estávamos todos em casa fechados pelo Covid e apetecia-me comer um brunch, que adoro. Fui ao Uber Eats e não havia nada que me agradasse, decidi fazer um que me agradasse, com todas as coisas de que gosto. E decidi partilhá-lo com o mundo.
— Que alimento e que bebida não pode faltar no teu pequeno-almoço? E no dos teus clientes?
Não sou muito de tomar o pequeno-almoço, portanto quando tomo é mais brunch, e tem de ter ovos Benedict e sumo natural de laranja, clássico. Para os meus clientes é o mesmo. O meu ovo tem um twist, em vez de ser feito num muffin é feito em panqueca doce, com bacon, depois o ovo escalfado e molho holandês, para ter doce e salgado.
— E que alimento e que bebida não podem estar mesmo no pequeno-almoço?
Não sou de proibir nada, sou muito open-minded, de ter muitas opções, não estou a ver nada que não possa estar num pequeno-almoço.
— Qual foi o pedido ou restrição mais estranho que recebeste?
Os meus clientes são muito clássicos. Uma das coisas que tenho sempre atenção são as intolerâncias, muito típicas hoje em dia. Achei bizarro uma cliente que mandou tirar as panquecas e pôr pão, como é que um brunch não tem panquecas? Mas isso são gostos.
— Que conselho dás a quem quiser mudar de trabalho tão radicalmente como tu fizeste?
Aconselho fazer as coisas com cautela, com pés e cabeça, mas não deixar de fazer, não deixar arrastar. Acho piada as pessoas dizerem-me que tive coragem, mas apenas fiz por estar bem. Não deixem de fazer o que for preciso para estar bem. Façam com pés e cabeça, mas façam. Mexam-se.
— Imagina que tens tudo montado, nos carris, e consegues tirar seis semanas seguidas de férias. Orçamento ilimitado, mesmo coisa de filme. Onde vais e o que fazes?
Primeiro faço duas semanas de férias só com o João [marido], por exemplo à Austrália. Depois, íamos buscar os [dois] miúdos e fazíamos uma viagem pela América do Sul e Estados Unidos. Uns trechos de carro, outros tinham de ser de avião. Espera, preciso de duas semanas, no final, só com o João, para descansar dos miúdos. Espera, espera, orçamento ilimitado, então babás, muitas babás.
NOTA: Este artigo foi publicado originalmente na revista INTER Magazine e é da autoria de Luís Antunes.
Foto: Theo Gould
