Recém regressado da Suíça, país ao qual chamou casa nos últimos 13 anos, o chefe Virgílio Martins voltou a Lisboa com o sonho de estabelecer o seu “food corner digital”, como lhe chama, no mercado da restauração lusa. Cosmopol’eat – assim se chama – tem quatro conceitos associados: os tártaros do Tartar, os hambúrgueres artesanais do Mix-Tape, as especialidade francesas do Le coq et la Marianne e as opções mais leves e saudáveis do Be Brunch. Todos os pratos são preparados pelo português numa dark kitchen, em Alvalade, e chegam à casa do cliente através das habituais plataformas de delivery ou do site da marca.
Virgílio cresceu a ver as matriarcas da sua família à volta dos tachos. Sempre o encantou esse mundo, porém primeiro seguiu a carreira militar. Só depois, surgiu a cozinha como opção ao emigrar para a França e depois para a Suíça, onde se formou numa escola de cozinha em Neuchâtel e acumulou mais de uma década de experiência em restaurantes no país. Em 2017, juntamente com a namorada, Rosalie, especialista nas áreas da administração, contabilidade e marketing, resolveu arriscar-se e abrir o seu primeiro restaurante que em 2020 é obrigado a fazer a sua transação para o modelo digital. Entre confinamentos, surge a ideia ao casal de criar um conceito de restauração totalmente digital, com uma dezena de marcas das mais variadas cozinhas – tudo a um clique de distância dos clientes a partir de entregas de delivery e take away. O sucesso foi “imediato”. A vontade dele querer regressar a Portugal fez o resto e no final de 2022, Virgílio e Rosalie venderam o restaurante (físico) e transportaram o conceito Cosmopol’eat para Lisboa, uma capital que consideram ser “super trendy e atraente”.
E porquê o foco num restaurante no digital com múltiplos conceitos? “E porque não? A minha namorada gosta de comer mais saudável e adora brunches, por exemplo. Já eu, gosto de pratos com caráter e sabores mais marcados. Muitas vezes, quando jantamos fora acabamos por comer pratos muito diferentes. Certamente que não somos os primeiros nem os últimos com esta questão, então pensámos que seria mais fácil se existisse uma plataforma onde fosse possível encomendar pratos muitos diferentes do mesmo sítio e que conseguissem ser entregues ao mesmo tempo”, explica Virgílio. “Foi nesse sentido que criámos várias marcas (atualmente o site da marca apenas tem disponível as quatro em cima mencionadas, mas é possível que o número aumente daqui para a frente consoante aceitação do público) em que cada especialidade coloca o cliente num ambiente diferente. Ao mesmo tempo, temos a possibilidade de cozinhar um mesmo produto de diferentes formas consoante a técnica utilizada”, completa. Os produtos utilizados pelo chefe são comprados de forma diária, no Mercado de Alvalade, perto de onde está situada a dark kitchen, e nos talhos e nas peixarias do bairro. “É muito importante para mim trabalhar num circuito pequeno e ajudar outras pequenas empresas. Assim perdurará a qualidade dos produtos e deste magnífico artesanato.”
O cozinheiro acrescenta que a ideia é “aproveitar a transformação digital que afeta atualmente o mundo da restauração”. A inspiração, confessa, vem dos “food corners e food courts ‘verdadeiros’ dos centros comerciais, como o Colombo em Lisboa, por exemplo, onde todos vão comer numa loja diferente mas acabam na mesma mesa para comerem juntos”.
Para o futuro, está reservado a abertura de um restaurante “físico, um verdadeiro food corner aberto todo o dia, com uma cozinha aberta no centro. Uma espécie de ilha com vários ambientes a conviver com marcas distintas. Também vejo uma mercearia a coexistir com produtos artesanais”, revela o responsável. E o que falta para tal acontecer? “Estou à procura de contactos e investidores que me permitam colocar esta incrível ideia em pé.” Até lá, é o Cosmopol’eat que ocupa boa parte do seu dia (e noite).
Contatos:
Site: Cosmopol’eat
Redes Sociais: @cosmopoleat.pt
