Helena Castro

Natural de Avintes, Vila Nova de Gaia, após o fim do ensino regular, Helena Castro decidiu frequentar o curso de cozinha e pastelaria na Fundação da Juventude Os seus primeiros estágios aconteceram nos restaurantes BB Gourmet e Terra, ambos no Porto. Logo depois surgiu a oportunidade de trabalhar no restaurante com uma estrela Michelin, Antiqvvm, chefiado por Vítor Matos. Foi lá que se iniciou na secção de pastelaria e, seis anos mais tarde, em 2021, ascendeu ao cargo de subchefe de cozinha.

Em 2022, aos 28 anos, decidiu colocar-se à prova ao concorrer ao concurso Chefe Cozinheiro do Ano, onde chegou ao grupo de seis finalistas.

Que memórias e sabores guardas da tua infância?

Tenho muito presente as memórias da época das férias. Durante muitos anos, em Agosto rumávamos ao Algarve onde passávamos uma temporada. Éramos muitos, entre avós, tios, primos, quase que fazíamos um acampamento dentro de uma casa. E toda essa azáfama era o delírio para nós, miúdos, na altura.

Sempre fui da opinião que o ambiente que nos rodeia, os cheiros, o nosso estado de espírito, tem influência no sabor que vamos reter da comida. Lembro-me, por exemplo, do sabor da sopa que nos davam, um simples creme de legumes com feijão verde. Hoje, para mim comer a mesma sopa noutro lado que não naquele, não tem o mesmo sabor. 

Já tinhas algum interesse pela cozinha enquanto jovem?

Sim. Cresci a ver o meu pai na cozinha e mais tarde, com os meus 11/12 anos, tive de aprender a cozinhar pelo facto de a minha mãe trabalhar por turnos. Fui aprendendo com ela e pedindo para ser eu a fazer. Chegou uma altura em que eu já fazia as refeições cá em casa uma vez por outra. Comecei por ir procurando receitas em livros ou perguntando como se fazia e tentava replicar. Mais tarde, já com mais à vontade, ia fazendo uma alteração ou outra.

Entretanto, no final do ano letivo quando acabo o ensino regular, opto por ingressar num curso de cozinha. Foi uma decisão muito repentina e foi tudo muito rápido. Estudei durante dois anos e meio e durante o tempo do curso, numa tentativa também de ir ganhando algum ritmo e dinheiro para as minhas coisas, fui fazendo umas coisas em casa, desde salgados a bolos de aniversário, sobremesas e também fui participando em alguns eventos.

O meu primeiro estágio foi na pastelaria do restaurante BB Gourmet, onde ainda durante a fase de estágio tive a oportunidade de trabalhar ao fim de semana. Mas depois fiz uma pausa na pastelaria e decidi apostar um bocadinho na cozinha e faço um estágio, ainda que curto, no restaurante Terra, do Grupo Cafeína. Regresso ao BB Gourmet onde finalizo o estágio e início o meu percurso profissional. Ao fim de algum tempo surge a oportunidade de trabalhar com o chefe Vítor Matos, no restaurante Antiqvvm, como pasteleira, onde estou há seis anos. Entretanto mudei-me para a secção da cozinha e atualmente sou subchefe de cozinha.

Em que tipo de cozinha acreditas?

Numa cozinha livre, onde se respeitem sempre as bases da gastronomia, possamos ser livres para mostrarmos a nossa essência, a nossa cozinha, a nossa interpretação, sem julgamentos do que é certo ou errado. Todos temos um olhar diferente sobre a cozinha e cada vez mais há que respeitar isso. Há que ter uma mente aberta para ouvir, provar e perceber as “invenções” da nova geração.

Fala-me sobre o teu atual desafio no restaurante Antiqvvm, no Porto, onde és subchefe de cozinha.

É de facto um desafio e uma responsabilidade enorme. Aliás, trabalhar com o chefe Vítor Matos é um desafio diário mas bom. Cresci muito com ele e no restaurante. Ele deu-me imensas oportunidades, às quais agradeço.

Gerir uma equipa por si só não é fácil. E gerir uma equipa de um restaurante estrelado é mais difícil ainda pela responsabilidade que acarreta. Cada detalhe conta, a importância de provar e verificar tudo antes de cada serviço é importante, assim como, o espírito de equipa. Se um falha, falhamos todos. 

Os tempos em que hoje estamos a viver e a falta de pessoal na restauração não ajuda, é um esforço maior e mais exigente para aqueles que ficam. É mais desgastante e acaba por ser um auto-desafio diário. O importante é termos a capacidade e a destreza de nos adaptarmos às situações e de alguma forma conseguirmos manter o nosso registo e vermos o nosso esforço e trabalho recompensados no final.

Recentemente participaste no concurso Chefe Cozinheiro do Ano. O que retiras dessa experiência?

Guardo o convívio com os outros colegas e a partilha de experiências entre todos. Gostei imenso de poder desafiar-me aquele nível. Fui com o intuito de participar, desfrutar e conhecer as pessoas da área, independentemente do resultado na competição. 

Foto: Filipe Vera-Cruz

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