O Rio de Prata da chefe Carla Sousa

O Tejo tem nova companhia. Em frente, nos jardins do Braço de Prata, em Marvila, já brilha o Rio de Prata. Trata-se de um espaço aberto e descontraído, assente na “partilha, genuinidade e detalhe”. 

“Querer é Poder!” Este lema dos Pupilos do Exército é também uma das linhas orientadoras da vida de Bernardo Ventura, o proprietário do novo restaurante de Lisboa, Rio de Prata, um projeto que abriu portas em novembro e o primeiro a ser inaugurado no complexo Prata Riverside Village. “Quem descobriu este espaço foi o meu pai”, começa por contar Bernardo. “Ele passou pelo Prata Riverside Village e falou-me da existência das lojas de frente para o rio Tejo.” Bernardo, que já andava à procura de um espaço próprio, interessou-se logo por esta zona remodelada, à beira-rio. “É muito agradável e tem cada vez mais movimento”, justifica o empresário que largou a carreira de piloto comercial para se dedicar à gastronomia, área que sempre o atraiu, tendo tido uma infância passada na cozinha junto da mãe ou das avós. 

Empreendedor por natureza, Bernardo criou o projeto, idealizou todos os detalhes com o “máximo rigor” e ergueu um restaurante com duas salas, um balcão e uma esplanada. A decoração e identidade gráfica do espaço, que cria uma admirável simbiose com o exterior, também foi responsabilidade sua. “A decoração foi pensada de fora para dentro, o aço enferrujado do pontão e candeeiros de rua. Quis reproduzir a calma e fluidez que existe ao observarmos o rio e o jardim”, explica Bernardo. No interior, destaca-se uma escultura prateada, criada pelo artista Valentim Quaresma, que simboliza um rio em prata, “um fio condutor entre o rio Tejo e o Rio de Prata”. 

À mesa, os sabores bem portugueses, com toques contemporâneos e um acento nas raízes cabo-verdianas, são pensados por si e pela chefe Carla Sousa, num conceito que também se quer de partilha, como é o caso do croquete de alheira e compota de pimentos ou o carpaccio de novilho. Existem também vários pratos de peixe e de carne – bacalhau à chefe (uma receita que é renovada todas as semanas) ou o entrecosto caramelizado – e, a par destas e muitas outras propostas, disponibilizam-se também dois menus: o menu “Prata” (35€ por pessoa) e o menu “Rio” (29€ por pessoa). A acompanhar, há uma carta de cocktails e diversas referências de vinhos, de várias regiões do país, expostas numa garrafeira em vidro, à vista de todos.   

O jovem proprietário não mede elogios à sua chefe: “Trabalhar com a Carla tem sido uma experiência muito enriquecedora, tanto a nível pessoal como laboral”. Também Carla Sousa se manifesta muito motivada com este novo projeto: “Uma verdadeira lufada de ar fresco! De uma forma espontânea, um verdadeiro reencontro com a gastronomia que mais me identifico.” Para a chefe, a gastronomia em Portugal é uma das “melhores no mundo” e muitas já foram as cozinhas  por onde passou e que podem comprovar isso – Cervejeira Lusitana, Bairro Alto Hotel, Sétima Avenida, Penha Longa, Darwin’s e Valverde Hotel.  

Sendo mulher e estando à frente de uma cozinha, Carla considera que há diferenças na forma como os homens e as mulheres são tratados neste setor, mas “já foi pior”. “Existe ainda um grande clichê em grande parte dos clientes que dizem: “Parabéns ao chefe”, sem sequer perguntarem quem é; assumem logo ser um homem e muitos admiram-se quando sabem que está uma mulher no comando”, comenta, acrescentando que, nesse aspeto, o Rio de Prata “é um excelente mote, visto que a cozinha é totalmente visível ao cliente.” 

Para o futuro do Rio de Prata, Carla espera que a sua equipa seja “reconhecida pela diversidade e companheirismo” e Bernardo acrescenta que, só mantendo o que já alcançou na vida e as pessoas que tem em seu redor, valorizando-as, se irá mais adiante. Uma coisa é certa: “dar o máximo sempre”. 

Foto: Humberto Mouco

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