Nós as pessoas: Marta Almendra

Marta Almendra é uma restauradora portuense. Já abriu diversos negócios na cidade Invicta com distintos conceitos gastronómicos. Atualmente, é proprietária dos espaços Cruel e Boteco Mexicano e prepara-se para abrir um terceiro projeto ainda este ano. Mantém ainda uma forte relação com as áreas da sua formação: o teatro e a psicologia. 
 

Qual a melhor forma de aliviar o stress após uma semana de trabalho?  

Geralmente não vou aos restaurantes ao domingo, dia em que janto com os meus pais, irmãos, filhos e marido. Esta é a melhor terapia. 
Como a semana em restauração é contínua, sempre que posso (tento que seja uma vez por semana) janto com amigos mais próximos. Aprecio diariamente a minha vida em casa, com os meus filhos e o meu marido. Tenho sempre tempo para eles e não há stress laboral que mude isso. 

O que fazes para descontrair e motivar a tua equipa? 

Trato as todas as pessoas como gostaria que me tratassem a mim, com o respeito e atenção que merecem. Não me ponho no “alto da cadeira do patrão”, estou presente e não apareço apenas para “recolher os envelopes”. 
 
“Faço serviço” e não estou apenas a “controlar o serviço”. 

Cuido. Vejo todos como pessoas inteiras, preocupo-me com as suas vidas pessoais, familiares, com as suas tristezas e alegrias. 

O novo é igual ao antigo, porque esse novo, quero que um dia seja antigo e porque a equipa é uma só, integral. 

Promovo a alegria no trabalho, para mim não há trabalho sem alegria, sem sorrir naturalmente, sem enfrentar o desconforto de forma positiva, sem empatia. 

Pelo menos uma vez por ano (a exceção da época pandémica) faço um jantar onde reúno todos os restaurantes, com o pretexto do Natal, mas sempre no início do ano, para um recomeço de ciclo mais feliz. 

Peço opiniões e colaboração de todos e faço alterações quando entendo que estas são importantes (pensar a uma só cabeça é muito triste e cansativo). 

Não permito quezílias, não permito divisões entre sala e cozinha, não permito que os problemas interpessoais não se resolvam no fim do serviço. 

Dou “prémios” quando são merecidos e quando financeiramente são viáveis. 

Promovo as refeições entre todos, antes de iniciar o serviço. 

Protejo a equipa de clientes chatos, pois o cliente “não tem sempre razão”. 

Não me canso de dizer que somos bons e que fazemos a diferença neste mundo cão. 
 

Qual o teu guilty pleasure gastronómico depois de um serviço desafiante? 

Raramente como depois de um serviço, porque é tarde e ou quero ir para casa ou quero ir dançar. Mas o que fazemos, quando um serviço é mais intenso, é bebermos um copo de vinho em equipa. Lembro-me em particular de um serviço em que um cliente foi salvo com uma manobra de heimlich. Mais desafiante do que isto não há. Sentámos-nos todos no fim, e brindamos à vida. 

Agora… Se me perguntam o que me apetece muitas vezes comer depois de um serviço desafiante, é mesmo uma francesinha com ovo e batata frita, mas isso seria impraticável… Mais realista será uma fatia de bolo de chocolate do Cruel: chocolate sobre chocolate. 
 

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