vladimir veiga

Vladimir Veiga

No início estava a vontade de vir a ser uma estrela no mundo do futebol. Mais tarde Vladimir Veiga chega a cozinha e é a comandar a sua equipa no LAB by Sergi Arola que acaba por brilhar.  

Nasceu em Cabo Verde, em 1992. Inicialmente, Vladimir Veiga quis ser jogador de futebol, mas acabou por encostar as chuteiras e dedicar-se à cozinha com a mesma determinação que teria no mundo desportivo. “Iniciei o curso de formação no Seixal, sem muita expectativa; foi a vida nas cozinhas dos restaurantes onde  estagiei, e por onde passei, que me fizeram gostar desta profissão e perceber que teria de dar tudo”, explica o jovem que é, atualmente, o braço direito do chefe catalão em Portugal. Anteriormente, trabalhou com Vincent Frages, Dieter Koschina e Quique Dacosta, entre outros. 

Em 2016 o LAB by Sergi Arola abre portas no Penha Longa Resort, em Sintra, Vladimir entra para a sua equipa e, nesse mesmo ano, o restaurante ganha a sua primeira estrela Michelin. Desde então, manteve-se a distinção e Vladimir, sempre com os pés bem assentes no chão, foi ascendendo no escalão profissional. Hoje, juntamente com Sergi Arola, gere a cozinha LAB e uma equipa de nove cozinheiros. Todos trabalham para o mesmo objetivo: “Estar à altura da exigência dos nossos clientes. A expectativa é alta, a pressão é muita, mas é natural que seja, porque de facto nós elevámos o nosso restaurante. Quem aqui vem espera uma experiência típica de um restaurante Michelin e é isso que encontra”, conta Vladimir.  

O LAB apresenta uma cozinha contemporânea, de autor, assente em produtos portugueses sazonais. Para Vladimir, o restaurante continua a conquistar os corações lusitanos precisamente pela forma como usa os produtos nacionais, trabalhando-os com ousadia e criatividade, mas sobretudo com respeito. “É preciso haver dedicação e saber o que se vai cozinhar. É o produto que nos diz quando é que devemos mudar a carta. Agora, por exemplo, para a nova carta de outono vamos apostar nos cogumelos.” Também as raízes africanas de Vladimir estão presentes nas suas criações. O chefe menciona, por exemplo, o Cólde d’Pêxe, um prato típico de Cabo Verde que já foi servido no LAB. “É como se fosse uma caldeirada que se faz com atum, em que reinventamos um pouco. Em Cabo Verde, o atum come-se todo. Então, eu fiz um prato só com a pele do atum, a parte mais gordurosa e, por isso, com maior sabor. A pele é cozinhada a baixa temperatura, muito lentamente. Este é um prato muito saboroso; já não está na carta porque é de inverno”, explica. 

Vladimir tem também à sua responsabilidade o Arola, o primeiro restaurante do chefe catalão no Penha Long Resort, que responde pelo seu apelido. “Quando me apareceu este restaurante para as mãos, aos 24 anos, foi um desafio gigante! Eu tive de defender este nome, porque aqui servem-se as famosas tapas do chefe: Batatas Bravas, Lascas de Presunto Ibérico, Calamares, entre outras. Encarei, desde o início, este desafio com muita seriedade.” 

Seriedade e disciplina parecem ser, de facto, características de Vladimir. Só assim se explica que, aos 30 anos, esteja à frente de dois restaurantes conceituados. “Por vezes, tenho horários e responsabilidades que me consomem e afetam a minha vida social, mas é grande a satisfação de ter chegado aqui”, confessa o jovem, acrescentando ainda o orgulho que sente na profissão que, um dia, surgiu por acaso: “Para mim, cozinhar é cuidar de pessoas.” 

NOTA: Este artigo foi publicado originalmente na revista INTER Magazine e é da autoria de Sónia Alcaso.

Foto: Humberto Mouco

Edições do Gosto

Newsletter EG

Faça parte da comunidade gastronómica.

Junte-se à Comunidade Gastronómica EG

* indicates required
Área de profissão *